Em caso de emergência, pacientes da oncoclínica devem ligar para:
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O que é? Tratamento do câncer

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.

Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida.

Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma.

Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases).

Tratamento experimentais

A oncologia está em um constante progresso. Os tratamentos que hoje são considerados modernos devem ser substituídos por outros melhores em um futuro próximo. Na verdade, tudo o que dispomos hoje em termos de opções de tratamento, estiveram um dia na fase de estudo. Os pacientes que se submeteram pioneiramente a esses estudos tiveram acesso a um tratamento que só estaria disponível dentro de meses ou até anos aos demais.

Muitas vezes, participar de um estudo pode ser uma boa alternativa de tratamento. Pesquisa-se praticamente de tudo. Novas drogas, novas combinações, novos métodos, etc. Se o tratamento se mostrar eficaz, o paciente o terá recebido muito antes dos demais. Essa diferença de tempo pode ser fundamental na expectativa e/ou qualidade de vida.

Para serem aceitos pela comunidade médica, os estudos adotam rígidos critérios, o que garante ao paciente um tratamento de alta qualidade.

É importante salientar que um novo tratamento em estudo pode não ser tão eficaz ou melhor do que o que está atualmente disponível.

Estudos comparativos aleatórios (randomizados) dividem os candidatos por sorteio entre diferentes tipos de tratamento. Um desses tipos pode ser o tratamento padrão que se usa atualmente.

Radioterapia

Em 1895, o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen descobriu o raio-X. Deu à ele esse nome pois desconhecia o tipo da radiação que causava os efeitos observados.

Em 1896 Antoine Henri Becquerel descobriu que o elemento urânio emitia radiação semelhante ao raio-X.

Em 1898 o casal Curie descobriu o elementos químicos rádio e polônio. A descoberta da radiação custou caro aos pioneiros. Como, nessa fase não foram adotadas quaisquer medidas de proteção, os efeitos deletérios da radiação sobre os tecidos normais foram logo descobertos. Como a radiação era capaz de causar dano aos tecidos, a idéia de usá-la para destruir tecidos tumorais e as primeiras experiências nesse sentido datam ainda do século XIX.

Os anos seguintes foram marcados por um grande avanço nas técnicas e aparelhagem. A radioterapia foi reconhecida como especialidade médica no congresso mundial de oncologia em Paris, em 1922. Nessa ocasião, Coutard e Hautant mostraram que a radioterapia poderia curar um câncer avançado de laringe, e evitar as sequelas de uma cirurgia.

Hoje, sabemos que a radioterapia leva a destruição tumoral através dos seguintes mecanismos:Ruptura das cadeias do DNA, paralisando funções vitais para o funcionamento celular e/ou inviabilizando a reprodução celular.

Ionização do meio, com a formação de radicais livres que levam a dano celular, o que explica o fato de tecidos mais oxigenados serem mais sensíveis à radioterapia.

A radioterapia tornou-se uma especialidade médica que trata pacientes portadores de câncer e de outras doenças pelo uso de raios ionizantes. O objetivo é aplicar uma dose eficaz na erradicação do tumor que cause o menor dano possível aos tecidos normais em suas proximidades. A preocupação em preservar os tecidos normais resultou em um grande desenvolvimento tecnológico, incluindo estudos de dose, formato de campos de radiação e trajeto dos raios no corpo do paciente.

Assim como a cirurgia, a radioterapia é uma forma de tratamento local do tumor.

Técnicas de aplicação

Radioterapia externa

Neste caso, a fonte da radiação é posicionada externamente ao paciente. De forma que o feixe de radiação deve atravessar diversos tecidos normais antes de encontrar o tumor.

Braquiterapia

Neste caso, a fonte de radiação está dentro do corpo do paciente, em contato com o tumor. A dose que atinge o tumor é bem maior.

A radioterapia geralmente é usada em conjunto com as outras formas de tratamento. Antes ou depois da cirurgia (raramente durante). Antes, durante ou depois da quimioterapia.

Quando combinados os tratamento, alguns dos quimioterápicos potencializam o efeito da radiação. Ou seja, o efeito da combinação de ambos é superior ao efeito dos dois se usados isoladamente, em uma seqüência. Outros quimioterápicos podem causar um aumento proibitivo dos efeitos tóxicos locais da radioterapia, de modo que seu uso é evitado durante o tratamento irradiante.

Efeitos colaterais

A radioterapia, além de destruir o tumor, também pode causar danos às células normais. É esse dano que é o responsável pelos efeitos colaterais. Eles irão depender muito da sensibilidade individual do paciente, da dose de radiação empregada e da área que estiver sendo tratada.

Principais efeitos colaterais da radioterapia:

- mucosite se o tratamento afetar boca ou esôfago;
- náuseas se afetar estômago ou intestino;
- tosse se atingir o pulmão;
- queda de cabelo se englobar o couro cabeludo.

Durante a aplicação, apesar de você ser mantido sozinho em uma sala, a equipe de radioterapeutas o observa através de um monitor, ouve seus comentários e tem controle absoluto de todos os aparelhos.

Quimioterapia

Quimioterapia é o uso de medicamentos para o tratamento do câncer. Estas substâncias, que podem ser ingeridas ou injetados em músculos, veias ou artérias, agem preferencialmente sobre as células do tumor, em diversas etapas de seu metabolismo. Na verdade, os agentes quimioterápicos agem interferindo na divisão celular, o que faz das células do câncer um alvo preferencial.

A população celular de um tumor é bastante heterogênea. Existem células próximas de vasos sangüíneos que recebem mais nutrientes e tendem a crescer mais que outras. Existem células que estão em diferentes fases do processo de divisão, o chamado ciclo celular. Algumas estão se dividindo, outras estão se preparando para tal e as demais estão em repouso.

Dependendo da fase do ciclo celular em que uma célula se encontra, determinado agente quimioterápico pode ou não fazer o efeito desejado. Isso independe se a célula é sensível ou resistente a ele. Existem drogas que atuam em todas as fases, e outras são as chamadas ciclo-específicas, ou seja, só atuam em determinada fase do ciclo celular.

A quimioterapia, diferente da cirurgia e da radioterapia é uma forma de tratamento sistêmico, ou seja, que atua em todo o corpo. Como algumas células tumorais podem se desprender do tumor primário e migrar para outros órgãos (metástases), muitas vezes a quimioterapia passa a ser a melhor forma de tratamento. Tumores distintos recebem tratamentos diferentes.

Imunoterapia

A imunoterapia é o mais novo recurso para tratamento do câncer, empregando a imunidade do paciente para destruição do tumor. Para isso, manipula-se o sistema imune na busca de aumentar sua competência para lidar com a doença.

O sistema imune é formado por diversos tipos de células, especializadas em diferentes funções.Essas células são capazes de produzir dois tipos de proteínas:

Anticorpos:
são moléculas que se ligam a alvos específicos, inativando-os ou atraindo as células do sistema imune.

Citoquinas: são "sinais químicos" para a comunicação entre as células do sistema imune.

Hoje, já dispomos de exemplos de ambos os tipos de mediadores para nos auxiliar na terapia do câncer.

Anticorpos Monoclonais

São moléculas de anticorpos produzidas em laboratório específicas contra determinadas substâncias. Em seu desenvolvimento, o principal desafio é encontrar o alvo certo para o anticorpo.

Como a célula tumoral deriva de uma célula normal, é necessário que o anticorpo não leve o sistema imune a destruir tecidos sadios. Outro detalhe é que o alvo em questão deve estar acessível, na superfície da célula tumoral.

Atualmente estão disponíveis os seguintes anticorpos monoclonais:

- Rituximab: para o tratamento de Linfoma não-Hodgkin de células B;
- Trastuzumab: para o tratamento de tumor de mama recidivado;
- Gemtuzumab: para o tratamento de leucemia mielóide aguda;
- Edrecolomab: para tratamento de cancêr de cólon.

Hormonoterapia

Muitos tecidos de nosso corpo tem seu crescimento normal regulado por hormônios. Alguns desses tecidos podem dar origem a tumores, que muitas vezes mantém sensibilidade aos hormônios, que podem estimular seu crescimento ou inibi-lo. Mama, endométrio e próstata são os exemplos mais freqüentes de tumores onde a hormonioterapia é empregada.

Ao bloquearmos o estímulo que o tumor necessita para crescer ele pode diminuir de tamanho.

Os hormônios atuam nas células através de receptores. Os receptores são moléculas que, ao se ligarem aos hormônios, causam uma determinada ação na célula.

Podemos atuar sobre o tumor de diversas maneiras:

Através de um hormônio que iniba seu crescimento:
Um exemplo é o tumor de endométrio, que se mantiver as características da célula original, terá seu crescimento inibido pela progesterona.

Através do bloqueio do receptor
que estimularia o crescimento da célula tumoral.

Pela redução da produção normal do hormônio pelo corpo do paciente: Isso pode ser conseguido através da retirada cirúrgica do tecido que o produz, pela sua destruição através de radioterapia ou através de medicação.

Na oncologia, a hormonioterapia encontra diversas aplicações:

- Tratamento de tumores iniciais, os "in situ";
- Tratamento de tumores avançados;
- Tratamento de possíveis tumores microscópicos residuais, de modo a reduzir o risco de uma recidiva da doença;
- Reduzir o risco de surgimento de um segundo tumor, do mesmo tipo, como um segundo tumor na outra mama;
- Em indivíduos com alto risco de desenvolver determinados tumores (experimentalmente).

Cirurgia

A cirurgia foi o primeiro método disponível para o tratamento do câncer. Hoje ela representa uma ferramenta fundamental no tratamento da quase totalidade dos tumores.

Os caminhos da terapêutica passam pela porta da anatomia patológica. Ou seja, sem uma análise do tumor, por meio de uma pequena amostra (biópsia) ou de todo o tecido retirado na cirurgia, não é possível traçar uma estratégia eficiente de tratamento.

A cirurgia permite ainda uma avaliação da extesnsão do tumor aos tecidos adjacentes, incluindo os gânglios linfáticos, por onde boa parte deles se dissemina. Essa análise da extensão do acometimento do tumor, o chamado estadiamento, irá também determinar qual a estratégia de tratamento que será seguida.

Com o objetivo de reduzir o risco de uma recidiva no local operado, o cirurgião retira um pouco mais de tecido normal em volta do tumor, estabelecendo uma margem de segurança.

Apesar de todas as vantagens, a cirurgia continua sendo limitada por ser um tratamento eminentemente local. Quando mesmo com a cirurgia há o risco da doença retornar ao local (recidiva local), podemos optar por complementar o tratamento com radioterapia.

Quando há risco ou evidência de que o tumor possa ter se disseminado, podemos complementar o tratamento com a quimioterapia.

A cirurgia é também uma alternativa de tratarmos das complicações locais, seja no sítio original do tumor, seja à distância.